Artigo
A sociedade atual exige que o
professor desenvolva novas competências e que permanentemente atualize seus
conhecimentos e saberes. Essas exigências de qualificação e requalificação dos
professores surgem das necessidades do professor contribuir para a formação
pessoal e integral do indivíduo e da sociedade.
A
formação dos professores atuais além de habilitação, especialização,
mestrado... exige constantes buscas de
aprendizado tendo como base o cotidiano do meio dos discentes, vindo desta
forma expandir seus conhecimentos, analisando de forma crítica a sua prática de
ensino, propondo mudanças necessárias; tendo em vista as diferentes funções
exercidas pela escola e professor nos desenvolvimentos sociais que são vistos
de vários ângulos e perspectivas pela sociedade e discentes. Diante dessa
discussão é preciso levar em consideração as diferenças entre as escolas das
classes sociais adversas. Para a realização do presente trabalho, foi feito um
levantamento e análise que trata o referido tema.
DILEMAS DO PROFESSOR FRENTE AO AVANÇO DA
INFORMÁTICA NA ESCOLA
O professor Lúcio Bianchetti da Universidade Federal de Santa
Catarina analisa as dicotomias enfrentadas por aqueles que têm a
responsabilidade de ensinar-orientar na chamada pós-modernidade, sendo essa,
definida por alguns autores, como a época das incertezas, das fragmentações,
das desconstruções, da troca de valores. A escola sendo entendida como um ente
histórico e que, sofre influências econômicas, sociais, políticas e culturais,
(como defendem os autores da teoria da totalidade) não poderia ficar imune as
tais influências e carregam consigo ideologias e valores dessa sociedade na
qual está imersa. O autor afirma que “ensinar-orientar no contexto da pós-modernidade
é um desafio que, às vezes, ultrapassa as condições dos professores e as
possibilidades da escola” (BIANCHETTI, p. 1) é exatamente nesse ponto que
residem os dilemas enfrentados pelos professores no contexto atual, para ele.
Como fazer uso da informática na escola si os professores tem pouco ou nenhum
domínio dessa tecnologia? E mais, como ensinar-orientar numa sociedade onde a
orientação já foi determinada pelo mercado? E, quais possibilidades as escolas
têm de transformar a vida das pessoas? No momento que ver a economia crescer,
mas por outro lado, os postos de trabalho diminuindo na mesma proporção, devido
à substituição do homem pelas máquinas. Mas afinal as novas tecnologias é algo
bom ou ruim? Para responder essa pergunta Bianchetti aponta quatro
posicionamentos, a saber:
1. Os
apologetas ou laudatórios só veem coisas positivas no uso das tecnologias e que
a humanidade não tem alternativa que não seja a de tecnologizar inteiramente;
2. Os
apocalípticos que só enxergam malefícios no uso das tecnologias, pois essas
afastam as pessoas, dilui as relações familiares, pessoais tornando as pessoas
menos afetivas e insensíveis;
3. Os
indiferentes frente ao avanço das tecnologias que não si posicionam nem a favor
e nem contra;
4. Por
último, existe o grupo dos críticos que entendem que as tecnologias são
criações humanas e que são dotadas de ideologias que podem facilitar a
resolução de muito de seus problemas e tornar a vida humana melhor, dependendo
é claro, do modo como essas tecnologias são usadas e a serviço de quem.
Sem dúvidas, os dilemas que o professor
enfrenta diante do avanço da informática na escola são muitos, porém, esses
dilemas podem ser superados com investimentos em capacitação dos profissionais
da educação para a utilização dessas novas tecnologias com enriquecimento e
produtividade do seu trabalho e não como suas substitutas, como pensam muitos.
TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO: TRABALHO E FORMAÇÃO DO
DOCENTE
As TIC’s
procuram aplicar o conhecimento, de um “saber como fazer”, colocando nosso
cotidiano como base e recursos de soluções de um problema. Porém o “Tutor”
deve: escrever, ler e compreender as diferentes linguagens e as renovadas
tecnologias; atualizando-se para acompanhar as técnicas de informação e de
comunicação, bem como suas constantes representações.
O “Tutor” se
identifica como monitor, estabelecendo-se no sentido de mediador; conferindo às
atividades cotidianas dos discentes partindo de princípios e valores, de modo a
situar-se no mundo, de sua história de vida, de suas representações e saberes.
Essas
tecnologias geram, armazenam, veiculam e reproduzem informações; difundindo-as
pelos meios tradicionais às mais modernas mídias, tais como: rádio, televisão,
vídeo, revistas, livros, computadores, etc. fazendo a interação da informação e
comunicação.
Essa interação
tecnológica é a elaboração recíproca entre o emissor e receptor, codificando e
decodificando os conteúdos, conforme a sua cultura e a realidade onde vivem;
que são dadas através da televisão a cabo, vídeo interativo e internet; já as
tecnologias colaborativas interagem entre as pessoas e ao mundo, permitindo um
trabalho qualitativo em equipe, e com as diferentes linguagens proporcionam
variadas aprendizagens.
Professores do século XXI devem aliar-se às tecnologias,
pois eles são eternos aprendizes; decidindo e conduzindo o aprendizado; devendo
usá-las no sentido cultural, científico e tecnológico, de modo que os alunos
venham adquirir condições para enfrentar os problemas e buscar soluções do
mundo atual. Pois um ambiente de aprendizagem não pode se transformar em mero
transmissor de informações, mas, na efetivação da comunicação e construção
colaborativa do conhecimento.
A
EDUCAÇÃO FRENTE AO IMPERATIVO DAS NOVAS TECNOLOGIAS
Partindo do pressuposto
de que ao pensarmos em educação, é preciso, primeiramente compreender que ela
não se explica por si mesma, mas pelas transformações materiais que ocorrem na
sociedade, então, faz-se necessário compreender a pedagogia que emerge do
impacto das novas tecnologias e as perspectivas mediadoras no campo educacional
que se fazem presentes nas políticas educacionais do governo brasileiro, cuja
economia se apresenta com uma nova natureza de dependência econômica,
tecnológica e cientifica.
No contexto dessas
novas configurações sociais, o conceito de formação geral possui um caráter
cultural diferente. Se na Idade Moderna, formação geral significava
conhecimento da história, da poesia, da retórica, da gramática, da filosofia
moral, necessária ao exercício das artes liberais e da carreira pública, hoje
se supõe como formação geral, o domínio das bases da ciência e da técnica,
calcado na formação profissional de bases gerais para atender à produção
moderna onde a máquina tende a desqualificar o trabalho do homem, visto que
incorpora a informação, o conhecimento e habilidades que antes eram uma
exigência para o trabalhador.
Olhando para a questão
ensino- aprendizado através da utilização desses recursos tecnológicos na
educação, a EAD (educação a distancia) flexibiliza e racionaliza-se o processo,
possibilitando economia de custos, de tempo e de espaço, bem como, proporciona
pacotes educacionais flexíveis para atender a variação da demanda regida pelo
mercado, visto que a formação técnica está sendo requisitada com maior
interesse e o domínio do conhecimento tecnológico está em voga. E apesar dos
avanços das novas tecnologias informacionais e comunicacionais possibilitarem
uma comunicação em tempo real, à relação entre professor e aluno continuam a
ser mediadas pela relação com a máquina e não mais pelas relações humanas,
resultando no acirramento do individualismo e na desmobilização política dos
partícipes. A perda da noção do mundo real e dos problemas reais, substituídos
por uma visão de mundo aparentemente harmoniosa e sem conflitos contribui com
esse processo.
Ao utilizar a máquina
de maneira a obter o controle do processo ensino-aprendizagem, reduz o educador
a um vigilante da máquina, ou seja, o monitor ou tutor. “O trabalho do
professor diante dessas novas tecnologias fica restrito à vigilância e não mais
um interventor, o mediador entre o sujeito e o conhecimento, mas sim um
observador da máquina em que deve possibilitar ao cliente” variadas formas de
interagir com a máquina. Esta, porquanto, fará a mediação entre sujeito e
conhecimento, não mais o professor, que somente facilitará o processo. Um
computador, alimentado por um “sistema inteligente” pode significar a
desqualificação do trabalho do educador, mas quando utilizado apenas como mais
uma ferramenta do processo educativo, em que as decisões correspondentes são
tomadas pelos educadores que controlam o processo; esses sistemas podem
representar o contrário. Porquanto, depende dos critérios envolvidos na escolha
de como e porque utilizar esse sistema.
A
educação é o elemento chave para a construção de uma sociedade da informação e
condição essencial para que as pessoas e organismos se adaptem continuamente
com um mundo que está em constante mudança. Assim, se requer uma educação
continuada que possibilite ao indivíduo acompanhar as mudanças tecnológicas e,
sobretudo, inovar, ser criativo, para tentar sobreviver, sob a lógica da
empregabilidade.
TECNICISMO,
NEOTECNICISMO E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS.
NO COTIDIANO ESCOLAR
De acordo com as
autoras Joana Paulin e Marilia Marques o Brasil passava por um momento de
desenvolvimento econômico sob um regime totalitário e ditatorial, daí a
necessidade de um método de ensino voltado para o interesse de uma parcela da
população intitulada capitalista.
A pedagogia tecnicista
no Brasil foi proporcionada pela reordenação do sistema educacional onde se
tinha como foco principal a eficiência e produtividade, embora isso pudesse
ocasionar uma crise de produção devido ao ritmo acelerado, o que gera o acúmulo
de produtos sem o consumismo equivalente, o que é característico do modelo
proposto por Frederick Taylor.
O tecnicismo pedagógico
tinha como um de seus elementos o treinamento de repetição para uma melhor
assimilação dos conteúdos propostos em sala de aula, o problema da metodologia
de transmissão de conhecimento é outro ponto não menos importante, a
secundarização no que diz respeito ao aluno e ao professor.
Quando não há um
aprendizado satisfatório, o professor muita vezes pode até ser responsabilizado
por não possuir um método eficaz de ensino ou os alunos serem os responsáveis
por serem desinteressados, ou seja, a educação tecnicista eximindo-se de toda a
culpa de uma deficiência educacional.
Com o passar do tempo
houve uma reestruturação do capitalismo na parte educacional que ficou mais
conhecida como neotecnicismo pedagógico, que promoveu profundas mudanças no
mundo da produtividade, substituindo os métodos propostos pelo fordismo e pelo
taylorismo que era desordenado e desorganizado, pelo método japonês
“toyotismo”, onde a produtividade passou a ter caráter organizacional afastando
assim a crise produtiva, quando só se produzia à medida que o produto se
tornava mercadoria.
Algumas
características do neotecnicismo se mostram de forma mais marcante quando
falamos em lógica produtiva, que em outras palavras quer dizer, produzir em
maior escala em um menor intervalo de tempo através da mecanização e ou
automação. Outro ponto a ser explicitado é o aumento do leque de conhecimento e
o tempo de qualificação necessária para a força de trabalho, tornando o
trabalhador polivalente e flexibilizando-o para aceitar as mudanças que são
constantes no mundo do trabalho.
TRABALHO,
SOCIABILIDADE PRODUTIVA E FORMAÇÃO HUMANA
Através dos diversos
processos e etapas do desenvolvimento do homem, que sua formação se desenvolve;
são experiências familiares, seu relacionamento com a comunidade, e
principalmente sua formação escolar, seja para o social ou para o mundo do
trabalho. Porém, esta é uma concepção atual.
Quando não existia
propriedade privada, e todos eram donos do espaço em que conviviam, e só havia
a preocupação com a sobrevivência, não havia desiguais, todos tinham os mesmos
direitos e deveres. Mas, a partir do surgimento da propriedade privada, alguns
se tornaram donos, e como tais passaram a exigir algo em troca pelo o usufruto
de sua propriedade. Com o recebimento de benefícios, esse já não precisava mais
trabalhar, nesse momento acontece à separação entre os indivíduos na sociedade.
E à medida que o tempo vai passando, cada um se distancia um do outro, pois
quem é detentor do poder ou da propriedade procura se aperfeiçoar para se
manter no domínio. Isso leva muitos pensadores a tentar explicar esta relação,
que envolve trabalho, socialização e formação educacional humana.
Segundo, Marx a
formação humana se dar através das condições histórica e em uma unidade
dialética em si e para si, seja na cotidianidade e não-cotidianidade obedecendo
a processos iguais ou desiguais. Em outra perspectiva se afirma que a formação
humana se dar nas relações sociais ou em práticas sociais, isso nos leva a crer
que o trabalho que sempre é realizado sob uma óptica coletiva, também é um
processo de sociabilidade humana. Dentro da visão de trabalho como forma de
sociabilidade, diversos formatos para padronizar a força do trabalho foram
criados, tais como: fordismo, taylorismo, toyotismo. Mas, todos voltados para a
obtenção máxima de lucros, característica central do capitalismo.
Contudo,
qualquer prática humana que envolva força física, mental ou intelectual faz-se
necessário possuir habilidades, educação e formação, portanto, quem tem que
realizar o trabalho físico perde espaço para aquele que está ócio e ainda detém
o poder, o capital.
EAD
E AS NTICs NO BRASIL
Na era da
informatização a Educação a Distância é um assunto muito discutido, devido às
facilidades que a mesma proporciona para nossas vidas. No entanto não é uma
forma de ensino atual, segundo alguns pesquisadores a mesma existe desde o
século XVIII. No Brasil segundo alguns pesquisadores a EaD, apareceu na década
de 1920,as aulas eram transmitidas por rádio e algum material impresso.
“A EaD/tic,é vista como
possibilidade para a formação de profissionais, cujo perfil é de autonomia
;portanto, capazes de tomar decisões, de espírito colaboradores e
participativos, auto-críticos, capazes de conhecer um fenômeno em processo, de
lidar com novas linguagens (simbólicas),entre outras (BELLONI,1999).”
Porém devemos nos
preocupar em não apenas adaptar o ensino tradicional aos novos equipamentos
tecnológicos, mas sim, pensar em que tipo de educação que se quer desenvolver,
que tipo de alunos se quer formar e quais tecnologias se enquadrarão na
proposta educativa da instituição de ensino. É importante que os cursos na
forma EaD tenha uma boa estrutura
curricular afim de atender as exigências do público, superando suas
dificuldades e dando-lhes condições de boa formação.
O
desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação tem sido no
decorrer dos anos, um agente relevante de aprendizagem que conduz à expansão
das oportunidades de combinação de recursos tecnológicos e humanos. A Educação
a Distância, portanto, decorre da necessidade de novas propostas de estudo,
onde o aluno não tem uma delimitação geográfica e nem uma sala de aula
presencial para buscar sua qualificação. (Mehlecke &Tarouco, 2003).
Porém, as NTICs não
devem substituir o professor, o mesmo precisa adquirir novas técnicas, repensar
suas metodologias, estar preparado e interado com essa nova forma de
aprendizagem.
As
NTICs podem provocar mudanças no processo de ensino e aprendizagem desde que
sejam utilizadas como ferramentas pedagógicas capazes de criar um ambiente onde
o aluno possa construir seu próprio conhecimento.
CONCLUSÃO
Espera-se
do professor no século XXI, que ele seja aquele que ajude a construir o
desenvolvimento individual e coletivo, e que saiba manejar os instrumentos que
a cultura irá indicar como representativos dos modos de viver e de pensar
civilizados, específicos dos novos tempos. Para isso, ainda são necessárias
muitas pesquisas em novas tecnologias da informação, aprendizagem cooperativa,
que se adéque ao modelo que tem como base as tecnologias, que oriente a
formação de professores no seu desenvolvimento e ofereça alguns parâmetros para
a tarefa docente nesta perspectiva.
REFERÊNCIAS:
BIANCHETTTI, Lucídio.Dilemas do professor frente ao avanço da
informática na escola.
BARRETO, Raquel
Goulart. Tecnologia e Educação: Trabalho
e Formação do docente. Educ.Soc.Campinas, vol.25, n.89.p.1181-1201.
Set./Dez.2004.
PASQUALOTTO, Lucyelle
Cristina. A educação frente ao imperativo
das novas tecnologias.
MIRA, Marília marques-
Mestranda em Educação-PUCPR
ROMANOWSKI, Joana
Paulin-Professora PPGE-PUCPR. Tecnicismo,
neotecnicismo e as práticas pedagógicas no cotidiano escolar.
SAVIANI, Dermeval. O trabalho como princípio educativo frente
às novas tecnologias.
SILVA, Eduardo Pinto. Trabalho, sociabilidade produtiva e
formação humana.
OLIVEIRA, Gleyva Maria
Simões. A educação à distância no
contexto educacional brasileiro.
Por: Adriano Sousa
Clédson Lima
Emanoel Jonas
Eugênio Sousa
Jéssica Rodrigues
Maria Rita Alves
Odair Magalhães